Review iPhone X: Finalmente um iPhone diferente

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Depois de 3 anos com o mesmo design, a Apple deu-nos finalmente algo diferente este ano: o iPhone X (não é xis, é dez!).

Claro que também tivemos o iPhone 8 e 8 Plus mas o design destes foi apenas moderadamente renovado em relação aos iPhones 6/6s/7. Mas foquemo-nos no X. Depois de um mês de uso diário com este smartphone, e tendo em conta que o meu iPhone anterior era o 7 Plus, julgo agora estar apto para partilhar convosco a minha opinião completa sobre o que penso do iPhone X e se de facto vale ou não a pena comprar. Dito isto, deveria ser escusado dizer - mas quero reforçar - que dada esta análise/review ser na sua essência um artigo de opinião, é extremamente subjectivo e por isso nada do que é dito é um dado adquirido mas sim apenas a minha visão sobre o assunto.

Começando pelo nome. Oficialmente não existe qualquer justificação para o “X” no nome mas a explicação mais óbvia passa pelo facto de este ano se comemorar o 10º aniversário desde o lançamento do primeiro iPhone. Porém, este “X” deverá na realidade ter mais a ver com o futuro do que com o passado, pois segundo a Apple, o iPhone X representa a visão da empresa para os próximos 10 anos de iPhone.

Há muita coisa para falar sobre este iPhone e por isso, como habitualmente faço, vou dividir por temas, começando por aquilo que vemos quando abrimos a caixa.


Design


O iPhone X é, no seu conjunto, o smartphone mais lindo que a Apple já fez, sobretudo na versão prateado em que o painel traseiro é de cor branca e as laterais em aço inoxidável, dando uma sensação futurista enquanto que também é nostálgico por nos lembrar o iPhone 4. O alumínio foi substituído pelo vidro (finalmente) neste iPhone, o que além de o tornar mais bonito, faz com que não escorregue tanto na mão, tornado-o assim mais confortável no uso do dia-a-dia. Claro que é bom ter em atenção que, sendo vidro, é mais frágil, pelo que o uso de uma capa toma uma importância renovada.

Algo que reparei de imediato assim que peguei no iPhone X foi o seu peso, mesmo estando acostumado a um iPhone 7 Plus. A verdade é que o iPhone X é apenas 14 gramas mais leve que o meu antigo 7 Plus mas como tem um formato menor e é mais grosso (0,4mm), temos a sensação de estar perante um terminal mais robusto, o que inconscientemente nos dá a ideia de uma qualidade de construção superior.

Na frente do dispositivo temos o que aparenta ser uma peça de vidro preta única, já que o botão Home desapareceu, com um design extremamente clean e apelativo. A única coisa de destoa um pouco na frente é a câmara TrueDepth que, por ter vários sensores, acaba por ocupar uma área maior que nos modelos antecessores. Esta área, que tem sido designada por “notch”, é alvo de uma grande controvérsia sobre a forma como afeta o design e a experiência de utilizador, uma vez que ocupa o que poderia ser área utilizável do ecrã.

Por outro lado, ter uma frente destas tão clean fez-me algumas vezes pegar no iPhone de pernas para o ar, pois não temos a “orientação” do botão Home para percebemos se estamos ou não a pegar no iPhone de maneira correta.


Ecrã


O ecrã do iPhone X consegue reunir ao mesmo tempo o melhor e o pior do aparelho, como irão perceber mais à frente.

Para os geeks de serviço, estamos perante um ecrã Super Retina HD de 5,8 polegadas com resolução de 2436x1125 píxeis e densidade de 458 píxeis por polegada. Este ecrã marca a estreia da Apple no mundo OLED para smartphones, além de suportar ainda HDR, TrueTone e a vasta gama de cores (P3). Tudo isto traduz-se num ecrã espetacular, como de resto a Apple já nos habituou, mas com uma maior riqueza de cores, detalhe e alto contraste. Quando ligamos o iPhone X, somos presenteados pelo logo da Maçã branco num fundo totalmente preto, graças ao OLED, fazendo com que seja impossível perceber que de facto o iPhone encontra-se ligado até aparecer a Maçã.

Em termos de cores, a Apple resolveu efetuar uma calibragem semelhante aos outros iPhones, pelo que não se nota uma grande diferença na saturação e intensidade das cores. Nota-se sim, quando pomos o iPhone X ao lado de outro iPhone que não seja X, que temos mais tons de uma mesma cor disponíveis e maior nitidez em algumas imagens. Caso contrário, diria que uma pessoal normal não irá notar grande diferença na qualidade geral do ecrã do iPhone X quando, por exemplo, comparado com um iPhone 8, à excepção dos pretos.

Este ecrã é o maior que podemos encontrar num iPhone, mais isso nem sempre se traduz em vantagens, sobretudo para fãs da versão Plus de 5,5 polegadas do iPhone. É verdade que temos mais ecrã no iPhone X, sobretudo quando utilizamos o dispositivo na vertical mas na horizontal a conversa é outra, pois o formato de 18:9 do ecrã deste dispositivo não abona muito a favor do consumo de conteúdo de vídeo, em que a maioria do formato é, ainda, 16:9. Com isto, só temos duas opções: ou forçamos o conteúdo a ocupar o ecrã todo ou mantemos o formato 16:9 do vídeo. Se mantivermos este formato, é como se estivéssemos a usar um iPhone de 4,7 polegadas, o que faz com que tenhamos duas bordas gigantes à direita e esquerda do vídeo sem qualquer conteúdo. Um desperdício, por tanto. Por outro lado, se forçarmos o vídeo ao formato 18:9, perdemos conteúdo em cima, em baixo, e à esquerda ou à direita, consoante a orientação do iPhone, devido ao notch. Como devem compreender, para um utilizador que vem de um iPhone Plus, não ter uma boa opção para ver vídeo é um grande “turn-off” e neste momento, a verdade é essa: o iPhone X não é um bom dispositivo para ver vídeos. Se querem ter uma boa experiência de vídeos e dão prioridade a este tipo de conteúdo, então o iPhone 7 Plus / 8 Plus é uma melhor opção. Se por outro lado utilizam o vosso smartphone na maioria das vezes na vertical, então podem confiar que o notch não irá ser um problema relevante.

Um problema semelhante encontramos nas apps, uma vez que muitas delas ainda não suportam o ecrã do iPhone X. Quando isto acontece, ficamos perante uma de duas coisas: ou, novamente, usamos a app como se tivéssemos um iPhone de 4,7 polegadas, ficando novamente com bordas pretas sem qualquer conteúdo (neste caso em cima e em baixo da app) ou, se a app preencher o ecrã todo do iPhone, esta não estar totalmente adaptada ao ecrã, nomeadamente por causa do notch. Pessoalmente tenho encontrado mais apps que se comportam como se eu tivesse num ecrã de 4,7 polegadas do que mal adaptadas ao iPhone X. 

App não otimizada para iPhone X

App não otimizada para iPhone X

Porém, até recentemente, duas das apps que mais uso - Instagram e Waze - caíam nesse último problema. O Instagram tinha o regulador de volume atrás do notch e o Waze tinha o nome da estrada atual praticamente em cima do símbolo do veículo. Ambos os problemas foram entretanto resolvidos. O que quero dizer com isto é que será uma questão de tempo até que a maior parte das apps sejam adaptadas ao iPhone X, a questão aqui é perceber se quem compra o iPhone X está disponível para esperar que esse suporte chegue ou não, e que claro vai variar de app para app - leia-se de programador para programador - uma vez que tanto pode demorar 3 meses como mais de um ano. A título de exemplo, cerca de 35% das apps que mais uso no iPhone X ainda não estão adaptadas ao seu ecrã.


iOS 11


Não pretendo fazer uma análise exaustiva ao iOS mas sim o que este traz de diferente na sua versão 11 para o iPhone X, uma vez que não temos botão Home e temos o notch.

Esta pode ser uma boa altura para verem o vídeo que fizemos sobre os novos gestos no iPhone X: 

Com a eliminação do botão Home, algumas das suas funcionalidades foram substituídas por gestos e outras foram realocadas para o botão Lateral, agora mais longo. Devo dizer que me habituei em três tempos à ausência do botão Home e agora já nem consigo conceber a ideia de utilizar um iPhone com botão Home. A verdade é que a maioria dos gestos são tão intuitivos que praticamente não há curva de aprendizagem.

Para desbloquear o ecrã, apenas temos que deslizar de baixo para cima a partir do Home Indicador, uma barra horizontal virtual que se encontra na parte inferior do ecrã e que serve de base para muitas das interações do iOS deste iPhone. Para fecharmos uma app, repetimos o mesmo gesto - deslizar de baixo para cima. A par deste, outro dos meus gestos favoritos e muito útil é o trocar de apps de forma instantânea, em que apenas é preciso deslizar da esquerda para a direita (ou vice versa) no Home Indicador. Porém, existe uma pequena curva de aprendizagem para percebermos a lógica de como funciona esta troca de apps no que diz respeito à sua sequência, ou seja, que app é que vamos encontrar quando efetuamos o “deslizar”. A ordem é a mesma que no multitarefa só que não as visualizamos mas isso levanta uma questão. Por exemplo, a app que estamos a utilizar no momento é a que se encontra mais a direita da suposta lista de apps que temos abertas, por isso o gesto natural para alternarmos para outras apps é deslizando da esquerda para a direita. Mas quando alternamos de app e começamos a utilizar a app que acabamos de abrir, essa app passa a ser a que está mais à direita da lista. Se for só para consultar uma informação e não chegamos a interagir com ela, essa app não vai para o fim da lista e permanece no seu lugar. Confuso, sim, mas depressa nos habituamos.

Uma outra novidade é invocar a Siri. Além de podermos continuar a chamá-la em alta voz (E aí Siri), com a eliminação do botão Home agora pressionamos no botão Lateral. Já para invocar o multitarefa, o gesto é o mesmo que para fechar apps mas fazemos uma pausa a meio do movimento ascendente. Esta pausa enerva-me solenemente e em busca de alternativas, descobri que se fizermos um gesto em “L”, ou seja, de baixo para cima e depois para a direita, temos acesso imediato e sem pausas ao multitarefa. Muito melhor!

Para quem tinha o triplo clique no botão Home para acesso rápido a atalhos de acessibilidade, agora pode faze-lo mas no botão Lateral. Por outro lado, para reiniciar o dispositivo, que antes fazia-se deixando pressionados ao mesmo tempo o botão de Energia/Lateral e o botão Home ou botão “+" de volume (dependendo do dispositivo), agora é preciso fazer uma sequência de cliques muito pouco intuitiva. Primeiro pressionar o botão de volume “+”, depois o de “-“ e depois manter pressionado o botão Lateral até o ecrã apagar. Muito pouco prático e espero que a Apple reveja este método em futuras iterações do iOS.

Como a invocação da Siri foi movida para o botão Lateral, como fazemos para desligar o dispositivo? Pois bem, agora temos que pressionar o botão de volume “-“ e o Lateral ao mesmo tempo, que o menu de encerramento aparecerá. A famosa captura de ecrã, que antes era feita pelo clique simultâneo no botão Home e Lateral, agora é feita como o mesmo clique simultâneo mas no Botão Lateral e Volume “+”.

Dito isto, numa semana adaptei-me bastante bem a todos estes gestos e atalhos. Porém, há um que não gosto e que ainda não me habituei, e espero sinceramente que a Apple reconsidere: o gesto para invocar a Central de Controlo. A Central de Controlo foi concebida para ser um menu de atalhos para facilitar o acesso do utilizador a determinadas funções do sistema. Assim, com um deslize de baixo para cima, tínhamos este acesso facilitado mas como este gesto foi atribuído para desbloquear e sair de apps no iPhone X, a Central de Controlo é invocada a partir de um gesto de cima para baixo, a partir do canto superior direito do ecrã. Quem é que consegue ter acesso à parte superior dum ecrã com 5,8 polegadas, só com uma mão? Talvez jogadores de basquete mas de certeza que a maioria das pessoas não. Como sugestão, porque não, uma vez que o Home Indicator só ocupa a parte central da zona inferior do ecrã, manter o gestor de baixo para cima mas a partir do canto inferior direito ou esquerdo do ecrã, por exemplo? É realmente muito mau. Eu até acho que foi por isso que a Apple resolveu meter alguns atalhos, como a lanterna e a câmara, no ecrã de bloqueio, pois devem ser aqueles mais usados da Central de Controlo, assumindo assim de forma indireta que a solução encontrada para a Central de Controlo no iPhone X foi feita em cima do joelho. Porém, estes atalhos no ecrã de bloqueio não deixam de ser úteis e até vejo a Apple a incluir mais atalhos no futuro. Já agora Apple, se quiseres pôr um atalho para conectar de forma rápida aos AirPods, estás à vontade!

No iPhone X desapareceu a percentagem de bateria da barra de status, pois com o notch não é possível mostrar tantas informações como antes, o que revoltou muitas pessoas. No meu caso, chateou-me durante dois ou três dias, depois habituei-me a “ler” a bateria apenas pelo ícone. Quando preciso de saber a percentagem em concreto, vou à Central de Controlo. Eu sei que o meu caso pode não ser o mais comum, pois eu faço um uso moderado do iPhone e raramente preciso de carregá-lo antes de ir dormir, pelo que na realidade nunca precisei muito de saber a percentagem de bateria. Por isso sei que para muitas pessoas isto possa ser um transtorno no seu dia-a-dia e acredito que a Apple venha a implementar um novo ícone que consiga incorporar a percentagem de bateria.

barra staus no iPhone x

Com efeito, a sensação que o iOS 11 dá no iPhone X é que, em algumas ocasiões, parece estar algo inacabado e não tão otimizado como poderia estar. Um exemplo disso, além situações que mencionei anteriormente, é o teclado, que tem muito espaço desperdiçado na zona inferior.

A isto junta-se a falta de otimização de apps, que mencionei no “Ecrã” mas lá está, penso que é uma questão de tempo até que programadores e a própria Apple optimizem o seu software por forma a tirar partido daquele que é o maior ecrã num iPhone.


Face ID


Tal como previ com base nos rumores, a Apple resolveu tirar o Touch ID do seu iPhone topo de gama e substitui-lo por uma nova tecnologia de autenticação biométrica: o Face ID.

Esta tecnologia autentica-nos perante o iPhone através, como o nome indica, da face, a partir da câmara TrueDepth que se encontra no tal notch e que alberga uma série de sensores. A Apple diz que este método é mais seguro que o Touch ID uma vez que a probabilidade de alguém que não a pessoa registada num determinado iPhone conseguir aceder a ele utilizando a cara é de uma em um milhão, enquanto que o Touch ID é de uma em cinquenta mil. Ainda, a Apple disse que se a pessoa que for tentar desbloquear o iPhone X partilhar alguma relação genética com a pessoa registada no Face ID, então essa probabilidade desce drasticamente, e de facto é o que se verifica em caso de alguns gémeos e de pais/filhos com semelhanças faciais evidentes.

Dito isto, o Face ID tem funcionado bastante bem comigo e este “problema” de segurança para familiares diretos não me preocupa e deverá ser algo que a Apple irá melhorar em futuras gerações desta tecnologia. O Face ID torna-se particularmente mágico em autenticações que são feitas enquanto utilizamos o dispositivo porque chega a dar a sensação que não temos nenhuma segurança ativada no iPhone. Para desbloquear o ecrã, não é tão expedito quanto o Touch ID mas funciona bem o quanto baste para uma primeira geração. Além disso, o Face ID no ecrã de bloqueio até permite que uma funcionalidade que já existia ganhe uma importância renovada e que consiste em ocultar o conteúdo das notificações no ecrã de bloqueio, mostrando-o apenas quando o dispositivo está desbloqueado. É realmente algo mágico e extremamente útil em termos de segurança. Algo semelhante acontece nas chamadas e que tem a ver com o volume. Quando chega uma chamada, o volume diminui automaticamente assim que prestamos atenção ao iPhone, um pormenor muito fixe.

O que também foi muito bem implementado pela Apple foi o facto das apps que suportam Touch ID também suportam o Face ID sem ser necessário qualquer atualização. Nice!

Porém nem tudo é perfeito. O Face ID só permite registar apenas um rosto, o que pode ser muito contra producente para quem partilha o seu iPhone com os filhos, por exemplo. O ângulo em que a câmara consegue efetuar a leitura do nosso resto é algo limitado, tornando-se mesmo chato em alguns momentos, como por exemplo quando acordamos e queremos espreitar as notificações no iPhone. Também só funciona se o iPhone estiver em pé na vertical com o notch em cima. Isto quer dizer que se tivermos a ver um vídeo com o iPhone na horizontal, por exemplo, e for necessário autenticar alguma coisa, não funciona.

Em termos de acessórios na cara, funciona bem com os meus óculos de sol com lentes polarizadas e óculos para ver ao longe. De cachecol também não tenho quaisquer problemas.

Se tivesse que pôr as coisas em pratos limpos, diria que o Touch ID funciona melhor como meio para desbloquear o iPhone e o Face ID é mais prático como método de autenticação dentro de apps.


Câmaras


As câmaras do iPhone X receberam um belo upgrade relativamente aos outros modelos, nomeadamente na câmara frontal, como temos visto. Os sensores da câmara TrueDepth permitem não só a autenticação com a face - Face ID - como também tirar excelente selfies, em especial no modo Retrato, onde o fundo fica desfocado relativamente ao sujeito que está em primeiro plano. Este modo já existia nas câmaras traseiras dos iPhones 7 Plus e 8 Plus - e também no próprio iPhone X - mas era alcançado através da medição da profundidade pelo sistema de dupla câmara. Agora, apesar de só ter a câmara TrueDepth, os seus sensores são capazes de criar um mapa tridimensional e separar o que está em primeiro plano do que está em segundo plano, podendo recriar o tal efeito retrato com desfoque no fundo. O resultado varia mas desde que o ambiente tenha bastante luz, as selfies ficam muito boas. Além disso, no modo retrato do iPhone X temos modos específicos que nos permitem ajustar o tipo de luz na foto e inclusivamente aplicar um fundo preto, imitando um pouco aquelas fotos tiradas em estúdio. Novamente, isto funciona melhor quanto mais luz ilumina o sujeito, pelo que a Apple ainda precisa de melhorar este aspeto, sobretudo na zona dos cabelos!

Depois temos também os Animojis, que não são mais do que emojis animados pela nossa cara que podemos enviar a outros contactos via iMessage ou então, se guardarmos a animação no rolo de câmara, em formato vídeo para qualquer outra aplicação de mensagens ou rede social. Isto é possível graças mais uma vez aos sensores da câmara TrueDepth. Na realidade não há muito para dizer sobre os Animojis, são muito engraçados mas ao fim de algum tempo simplesmente esquecemo-nos que estão lá. Talvez se estes tivessem uma app dedicada ajudasse a prolongar o tempo em que ficamos fascinados por eles.

Relativamente às câmaras traseiras, notam-se claras melhorias relativamente aos iPhones de 2016, curiosamente com cores mais saturadas e quentes. O baixo ruído em ambientes de baixa luz também merece ser mencionado pela bela melhoria que teve. Tecnicamente continuamos com duas câmaras de 12MP mas a teleobjetiva, que faz zoom óptico 2x, agora tem estabilização ótica e abertura maior de ƒ/2,4 versus 2,8 nos outros modelos de iPhone. Isto quer dizer que a qualidade das fotos tiradas com esta câmara melhoraram significativamente, pois deixa entrar mais luz e durante mais tempo, graças à estabilização. Em vídeo, também já não vamos ter imagens tão tremidas como antes quando alternamos para a câmara teleobjetiva. De seguida podem ver algumas fotos tiradas com o iPhone X:

Por falar em vídeo, o iPhone X continua a fazer excelentes gravações, agora com a opção de gravar em 4K a 60fps. Claro que para isto é necessário ter bastante armazenamento disponível, caso contrário não aconselho a terem esta opção como pré-definida.


Performance


O novo processador A11 Bionic que equipa os iPhones 8 e X, com 6 núcleos, promete 70% mais performance nos 4 núcleos de alta eficiência e 25% mais performance nos 2 núcleos de alto desempenho. Na prática não noto diferenças significativas para o iPhone 7 Plus no dia-a-dia mas acredito que o maior desempenho “no papel” seja necessário para realizar algumas das tarefas das novas funcionalidades, tanto do dispositivo como do iOS 11, como fluidez nos novos gestos, Animojis, Face ID, Modo Retrato e Realidade Aumentada.

Falar de performance nos iPhones é o mesmo que discutir a velocidade num Ferrari, já sabemos que são rápidos e ponto final.


Bateria


A bateria do iPhone X surpreendeu-me pela positiva, pois temos um iPhone mais pequeno que o Plus mas com sensivelmente a mesma autonomia. Essa é pelo menos a minha experiência, mas mais uma vez tenham em mente que eu venho de um iPhone 7 Plus com um ano de ciclos de bateria consumidos.

Com efeito, deveria ser algo de esperar, pois em termos de especificações a bateria do iPhone X tem 2.716 mAh de capacidade enquanto que a da versão Plus tem 2900 mAh.

Dito isto, ainda não tive a necessidade de carregar o iPhone X antes de ir para a cama, sendo que o tiro da base de carregamento por volta das 8 horas da manhã e não volto a pô-lo antes das 23h. Já com o iPhone 7 Plus, nos dias em que usava o Waze como GPS, quase sempre tinha que dar-lhe um “cheirinho” para ter a certeza que se aguentava até ir dormir.

Não podemos falar de bateria no iPhone X sem falar nas novas formas de carregamento do dispositivo. A Apple resolveu ceder ao mercado e adotar a norma Qi de carregamento sem fios. Apesar de ser muito cético relativamente a este método de carregamento, porque na realidade o iPhone fica inutilizava enquanto carrega já que não podemos pegar nele se não o carregamento pára, revelou-se bastante prático para mim, pois quando ponho o iPhone a carregar, raramente preciso de interagir com ele. Os carregadores sem fios que a Apple recomenda não são baratos mas existem ótimas alternativas como esta da Nanami e uma outra da RAVPower - utilizo ambas - por menos de 20€ e que funcionam lindamente.

Além do carregamento sem fios, temos também o carregamento rápido no iPhone X, em que a Apple promete 50% da bateria em 30 minutos. Infelizmente - e até de forma inaceitável - isto não é possível alcançar com o que vem na caixa do iPhone X. Para termos carregamento rápido, é necessário um adaptador de corrente USB-C de pelos menos 29W e um cabo USB-C para Lightning. Uma opção mais em conta que o adaptadores da Apple é este da UGREEN de 30 W que custa cerca de 12,00€ em promoção mas recomendo que comprem o cabo USB-C para Lightning oficial da Apple.

Apesar das muitas novidades que o iPhone X nos traz, fiquei a desejar que este também tivesse o ProMotion do iPad Pro, que basicamente permite que o ecrã atualize a imagem 120 vezes por segundo. Acredito que isto virá para os iPhones mais cedo ou mais tarde.

Os iPhone sempre foram caros mas o X leva esta “loucura” a um novo patamar: 1.179,00€ para a versão de 64GB e 1.359,00€ para a versão de 256GB. Quem me tem ouvido no Podcast do Kioske sabe que optei pela versão de 256GB só porque consegui vender o meu 7 Plus por um bom preço e como comprei pela empresa, consigo abater o IVA. Caso contrário, jamais optaria por esta versão.

Isto para dizer que apesar do iPhone X ser um excelente dispositivo, totalmente novo e cheio de boas novidades, há demasiados “contras” para que possa recomendá-lo. Os principais são o facto dos vídeos não tirarem partido do ecrã de 5,8 polegadas, a falta de optimização de algumas apps e do próprio iOS 11 e, claro, o preço. O iPhone X não vale - comparando com o que existe no mercado - mil e duzentos euros, nem de perto nem de longe. A própria Apple disse que este smartphone só estava previsto para ser lançado no próximo ano e isso pode ser um dos motivos pelo qual é tão caro, pois provavelmente os novos componentes que o constituem não estão a preços convidativos. Porém, acredito que em 2018 teremos a experiência do iPhone X por menos de mil euros e aí talvez possa recomendar a sua compra.

Concluindo:

  • O iPhone X é, neste momento, apenas para fãs da Apple com disponibilidade para o comprar - e julgo que muitos vão achar que valeu cada cêntimo;
  • O iPhone 8 é para quem gosta do design em vidro, quer carregamento sem fios e melhorias significativas em fotos;
  • O iPhone 8 Plus é para quem consome sobretudo vídeo, gosta de utilizar o dispositivo na horizontal e queria mais recursos em fotografia;
  • O iPhone 7 / 7 Plus é neste momento o iPhone com melhor relação qualidade/preço.

Espero que este artigo vos tenha ajudado no esclarecimento de dúvidas relativamente ao iPhone X! Deixem o vosso feedback dizendo se gostaram ou não e caso tenham alguma dúvida em concreto sobre o iPhone X, sintam-me à vontade para falar comigo, seja via Facebook, Twitter ou E-mail.