Review iPhone 7 Plus - Vale a pena o upgrade?

A expectativa para a revelação dos iPhones 7 era particularmente elevada para este ano, uma vez que os rumores apontavam para uma manutenção do design geral do aparelho pelo terceiro ano consecutivo - quando tipicamente acontecia uma mudança de design de 2 em 2 anos - o que se veio a confirmar.

Além disso, a “polémica” remoção da saída de auscultadores de 3,5mm e o sistema de câmara com dupla lente fizeram correr muita tinta digital por essa internet fora, tanto antes (com os rumores) como depois do lançamento do iPhone 7, pelo que agora chegou a nossa vez de comentarmos estes e outros aspetos que consideramos relevantes para esta análise.

O objetivo deste artigo, como todos os do Kioske deste tipo, é fornecer “ferramentas” suficientes ao leitor para que possa decidir se, dado o nosso feedback, vale ou não a pena considerar a aquisição do novo smartphone da Apple. Para isso, vamos dividir o artigo em 7 tópicos: Design, Botão principal, Câmara, Som, Earpods, Performance e Bateria, com espaço ainda para algumas considerações finais.


Design


A Apple assumiu um enorme risco ao manter o mesmo design geral dos iPhones 6 e 6s para este novo iPhone 7. No entanto, há alguns detalhes importantes que ajudam a diferenciar a nova geração da anterior.  

As bandas de antena foram redesenhadas, não havendo mais aquela horrível linha que atravessava o dispositivo de um lado ao outro, tanto por baixo da câmara como na parte inferior do dispositivo.

Os mais atentos vão também notar que a pequena depressão onde os botões de volume estavam inseridos desapareceu, dando um aspeto mais uniforme à lateral do iPhone.

A saliência da câmara é agora mais progressiva e não tão “bruta” como nas gerações anteriores. Isto acontece porque enquanto que no iPhone 6 e 6s ela era colocada à posteriori no aparelho, no iPhone 7 ela é desenhada na própria carcaça do smartphone, dando um ar mais natural e elegante. Mas claro, não deixa de ser uma protuberância.

As novas cores, preto mate e preto brilhante, são, na nossa opinião, a pedra de gelo que dá um ar mais refrescante a este “novo” design. Não só porque ambos são lindíssimos, como ocultam na perfeição o que resta das linhas de antena, algo que eu não sei se já vos disse mas que detesto! Já tive oportunidade de ver pessoalmente ambas as cores, o preto mate porque é a cor do meu iPhone 7 Plus, e o preto brilhante que estive a explorar uns minutos numa loja que o tinha em exposição. E não é uma escolha fácil. Por um lado, o preto brilhante é o mais apelativo aos olhos, mas assim que pomos as mãos em cima fica cheio de “dedadas”, o que já era de esperar dado o acabamento em folha de vidro (e que confere o tal brilho).

Além disso, a Apple alerta no seu site que esta cor é susceptível de adquirir facilmente pequenos riscos e que, caso isso nos incomode, é recomendado o uso de uma capa. Por ter vidro no seu acabamento, acaba por facilitar um pouco o seu manuseamento, uma vez que o vidro proporciona mais aderência na mão. Já o preto mate é na realidade um cinza muito escuro, que só parece preto sem luz direta. De resto, tem o mesmo aspeto e sensação na mão que as outras cores. Assim, diria que o preto brilhante é a cor a escolher para quem gosta de dar nas vistas com o seu smartphone e o preto mate para quem quer ter um smartphone com um design moderno.


Botão Principal


Agora com o iPhone 7, o Botão Principal deixou de ser uma peça física. Em vez disso, é uma peça sólida que vibra quando sujeita a pressão por parte dos nossos dedos. Isto quer dizer que se utilizarmos a unha, por exemplo, não vamos ter qualquer feedback vibratório nem resposta do sistema, ou seja, é como se não tivéssemos feito “clique”.

A sensação inicial é esquisita e demoramos alguns dias para nos acostumar, mas é algo que se estranha e depois se entranha. A ideia que dá é que toda a parte de baixo se afunda quando pressionamos o Botão Principal, não sendo por isso um feedback tão preciso como os que nos dão os trackpads dos MacBooks e MacBooks Pro mais recentes, nem como o Magic Trackpad 2. Espero que a Apple melhore esta tecnologia no iPhone nas suas próximas versões, se bem que o mais provável é que o Botão Principal seja removido de vez do equipamento. A sensação ainda se torna mais esquisita se pressionarmos o botão com o iPhone apoiado numa superfície plana, pois nesta situação é quase imperceptível qualquer feedback vibratório.

Mas nem tudo é mau, pois há vantagens óbvias nesta alteração, como a ausência de desgaste que uma peça física teria. No geral, diria que é uma boa evolução do Botão Principal, mas que a vibração precisa de ser melhorada.


Câmara


iSight

Diria que esta é a principal novidade dos iPhones 7, sobretudo na versão Plus. O destaque vai para uma abertura maior, que permite a entrada de mais luz e todos os modelos têm agora Estabilização Óptica de Imagem (EOI), tanto em foto como em vídeo. Como o nome indica, a versão Plus do iPhone volta a ter algo “a mais” que a versão “normal”. E que “algo”, pois é nem mais nem menos que uma câmara extra! Além da mesma câmara grande angular de 12 megapíxeis do iPhone 7, o Plus tem uma câmara telefoto (também de 12 megapíxeis) que oferece ao utilizador zoom óptico de 2x, mas com uma abertura menor.

Ainda, as câmara do iPhone 7 Plus trabalham em conjunto para melhorar a qualidade da foto, permitindo também um novo recurso, ainda em fase beta mas que virá com o iOS 10.1: Modo retrato. Esta funcionalidade simula digitalmente o efeito profundidade, onde o fundo é desfocado em relação ao sujeito principal da foto. Na prática, é utilizada a câmara telefoto para capturar a imagem enquanto que a grande angular mapeia todo o cenário, por forma a distinguir o que está mais perto do que está mais longe. O resto é feito por software.

E na prática, como é que tudo se comporta?

Foto tirada com iPhone 7 Plus, sem edição.

Bem, em cenários bem iluminados, não há grandes diferenças entre fotos tiradas com um iPhone 6s e um iPhone 7. Há sim a vantagem de utilizar zoom óptico em situação em que estamos limitados a manter uma certa distância do sujeito, assim como do modo retrato quando queremos destacar alguma pessoa ou coisa na foto.

Foto tirada com iPhone 7 Plus, sem edição, apenas remoção de matrícula.

Já em ambientes com pouca luz, começa-se a notar um melhor desempenho do iPhone 7, justificado pela abertura maior da câmara de grande angular. Mas nem tudo são rosas e existem algumas nuances que vale a pena considerar aquando a utilização da câmara do iPhone 7. 

A primeira é que a câmara telefoto não tem EOI, o que quer dizer que ao utilizar zoom óptico 2x, pode acontecer termos vídeos um pouco mais “tremidos” e fotos com pior qualidade em ambientes com pouca luz. A grande conclusão é evitar utilizar a câmara telefoto à noite ou cenários mal iluminados. Aliás, algo curioso que notei foi que dentro de casa, num ambiente com pouca luz, o sistema não utiliza a câmara telefoto quando tento fazer zoom 2x. Em vez disso, ele (o sistema) prefere ter zoom digital 2x numa câmara com abertura maior (a grande angular) do que zoom óptico numa câmara com abertura menor (telefoto).

O modo retrato, que tenho utilizado por ter instalado o beta público do iOS 10.1, funciona relativamente bem. O seu desempenho é bastante superior quando utilizamos pessoas como o sujeito da foto do que com objetos, mas mesmo assim não deixa de ser satisfatório. Há também o problema da luz: com pouca luz, o sistema tem dificuldade em distinguir o fundo com o sujeito principal da foto.

Ainda, quando o objeto não é bem definido, como por exemplo plantas com muitas folhas ou pessoas com cabelo mais comprido/difuso (e que se pode misturar facilmente com fundo), a funcionalidade pode ficar um pouco aquém do esperado.

 

FaceTime

 

Foto tirada com iPhone 7 Plus, câmara frontal, sem edição.

 

A câmara FaceTime (frontal) também melhorou e tem agora 7 Megapíxeis e faz vídeo em Full HD, o que é particularmente útil no iPhone 7 Plus que tem também um ecrã Full HD. Nas selfies, a diferença para os iPhones anteriores começa a notar-se ao aumentarmos a foto, como seria de esperar.

Para terminar o tópico “Câmara”, deixo-vos um vídeo em 4k filmado a partir do iPhone 7 Plus 


Som


O iPhone 7 marca a estreia da Apple do som estéreo nos seus smartphones. Além do altifalante presente na parte inferior, temos agora um altifalante para as “chamadas de voz” bastante melhorado (e maior) que o presente nos iPhones anteriores. Isto permite que a Apple o utilize como segundo altifalante, permitindo assim o som estéreo.

Em termos de qualidade geral do som, não houve grandes alterações. O volume total é um pouco mais alto mas a principal sensação é de envolvência com o conteúdo que sai dos altifalantes. Pessoalmente, esta novidade marca o fim da “conchinha”, algo que até então tinha que fazer com a mão no altifalante, por forma a redirecionar o som para mim e assim poder ouvir em condições. É também especialmente útil em jogos que requerem maior firmeza ao segurar no dispositivo e que podem fazer com que tapemos o altifalante situado na parte inferior do aparelho. Agora, mesmo que isso aconteça, continuamos a ouvir bem o som que sai pelo segundo altifalante.

No entanto, mesmo em volume médio, sente-se alguma vibração no aparelho aquando a reprodução de som. Não é algo demasiado chato, mas em níveis de som mais elevados pode ser incomodativo.


Earpods Lightning


Com a remoção da saída de auscultadores 3,5mm, a Apple apresentou novos Earpods, agora com entrada Lightning.

Esta mudança afetou-me de forma moderada, uma vez que utilizava os “fones” do iPhone para ligar também ao meu Mac, algo que agora só é possível com um adaptador. A Apple, e bem, inclui um adaptador na caixa mas o que ele faz é transformar a entrada de auscultadores em Lightning, quando eu queria precisamente o contrário, ou seja, algo que transformasse a entrada os novos Earpods Lightning em entrada de auscultadores.

De resto, a qualidade é idêntica à dos Earpods antigos, sendo que no meu caso em particular se adaptam muito bem à minha orelha. Para terem uma noção, sempre os usei no ginásio, nunca saíram do sítio.


Performance


A performance foi uma das coisas que mais me surpreendeu quando passei do iPhone 6 para 6s, uma vez que este último é notoriamente mais rápido que o seu antecessor. 

Agora, quem transitar de um iPhone 6s para o 7 (como é o meu caso), não vai notar grandes diferenças de desempenho nas tarefas do dia-a-dia. Talvez num ou outro jogo se perceba que o seu carregamento é feito de forma mais rápida mas fora isso, a performance é bastante idêntica à do 6s, não sendo por isso um grande fator de diferenciação.


Bateria


Confesso que tinha grandes expectativas para a bateria do iPhone 7 Plus, não só porque vinha de um iPhone menor (de 4,7 polegadas e por isso com menos autonomia), como também pelo facto da Apple ter anunciado melhorias neste componente.

E a verdade é que mesmo com uma utilização intensiva, consegui chegar ao fim do dia sem carregá-lo, ainda com 14% de bateria.

 
 

Neste exemplo, desliguei o iPhone da tomada às 7:30 da manhã e voltei a ligá-lo às 23 horas do mesmo dia. Nesse período, reproduzi quase uma hora e meia de vídeos no YouTube, ouvi duas horas e meia de Podcasts, um quarto de hora a tirar fotos e ainda fiz a atualização para o beta do iOS 10.1 que pesa cerca de 2GB.

Mesmo assim, estava à espera de mais autonomia, pois fiquei com a sensação que obtive o mesmo desempenho que o iPhone 6s nos primeiros dias. No entanto, a verdade é que neste dia tive uma utilização realmente atípica para mim, propositadamente intensiva para vos poder dar este feedback que considero importante.

Diria que quem utilizar o iPhone 7 Plus mais como ferramenta de trabalho do que entretenimento, é provável que a bateria chegue à justa para um dia inteiro mas com o passar do tempo e deterioração da mesma, mais cedo ou mais tarde vai ser necessário recarregar o iPhone a meio do dia.


Notas Finais


Resistência a pó e água

Vale a pena ainda referir que esta geração de iPhones é tem a certificação IP67 de resistência a poeiras e água (até 1 metro de profundidade, durante 30 minutos). Não testei esta “funcionalidade” em concreto mas os testes feitos por essa internet fora comprovam esta resistência. É caso para se dizer que os dias em que o nosso iPhone “morria” quando caiam na sanita ou numa poça de água têm os dias contados!

Ecrã

A Apple disse ainda na sua keynote que o Ecrã Retina HD que equipa os novos iPhones foi melhorado e tem agora uma maior gama de cores e é 25% mais brilhante, o que se traduz em imagens mais vivas e coloridas. Na prática, não notei grande diferença para o iPhone 6s, só se tiver os dois equipamentos lado a lado, mas não é algo de muito significativo.


Concluindo, e na minha opinião, o iPhone 7 Plus é sem dúvida um excelente equipamento, apesar de estar um pouco acima do preço (na Europa e sobretudo em Portugal) para aquilo que oferece. Lembrem-se que estamos a pagar o “mesmo” que os outros países mas não temos as mesmas funcionalidades. Exemplos paradigmáticos disso são a Siri ainda não falar português de Portugal e termos um spotlight e app Mapas bastante limitados no nosso país.

No entanto, este é um upgrade que vale a pena para quem tem um iPhone 6 ou anterior, mas se não for algo “urgente”, recomendo esperar por 2017, ano esse que deverá trazer um iPhone totalmente redesenhado.