Review: Apple Watch Series 3

Já dizia o ditado “mais vale tarde do que nunca” e de facto, embora depois do desejável, chega agora a minha opinião sobre a terceira geração do Apple Watch (isto se contarmos que o Series 1 e 2 fazem parte da mesma geração).

O mais recente smartwatch da Apple foi apresentado em duas versões: uma com GPS e outra com GPS + Celluar, esta última não disponível em Portugal no momento em que escrevemos este artigo. Os dois tamanhos mantêm-se - 38mm e 42mm - e existem agora 4 modelos diferentes: Apple Watch, Apple Watch Nike+, Apple Watch Hermès e Apple Watch Edition, sendo que estas duas últimas também não estão disponíveis em Portugal, precisamente por apenas existirem versões com GPS + Cellular. No caso do modelo Edition, o diferencial está no material da caixa que é em cerâmica, enquanto que nos outros modelos podemos escolher entre o alumínio e aço inoxidável (única opção do modelo Hermès). 

Dito isto, optei por escolher o Apple Watch em alumínio de 42mm que custou 409,00€. O alumínio porque gosto bastante deste acabamento, não só esteticamente como também pela flexibilidade que dá tanto para contextos informais como formais, bastando trocar a bracelete. O tamanho porque na realidade 42mm não é muito grande, mesmo para quem tem pulsos abaixo da média. Aproveito para partilhar o unboxing que fiz desde modelo:

Antes de continuar, dizer que o meu termo de comparação para este Apple Watch será a primeira geração do dispositivo, uma vez que não comprei nenhuma das gerações seguintes. Isto poderá traduzir-se na verificação de diferenças significativas de um dispositivo para o outro mas tentarei sempre enquadrar igualmente as outras geração do smartwatch tanto quanto possível e adequado.


Design


Este é aquele aspeto que mais chama a atenção, porque é o primeiro impacto que temos com o dispositivo. Nisto, os Apple Watch são todos extremamente equivalentes, sendo que na geração anterior (Series 1/2) houve um pequeno redesenho nos altifalantes e microfone. 

Ainda, na versão com Cellular do Series 3, a coroa digital tem a face vermelha, o que permite distinguir esta versão facilmente das restantes.

De resto, gosto bastante do formato “quadrado”. Não sou daqueles que sonha com um Apple Watch redondo, pois os ecrãs circulares não são muito “amigos” das interfaces de sistemas devido ao seu layout, nomeadamente em texto. Suponho que quem é mais fanático por relógios e menos por gadgets - que não é o meu caso - tenha maior tendência a aceitar essa mudança de design caso venha a acontecer. Por mim, o “quadrado” pode ficar!


Funcionalidades


O Apple Watch Series 3 tem duas grandes novidades para mim, dado que venho da primeira geração do Watch: GPS e “à prova de água” até 50 metro. Este último pode ser um fator diferenciado para muitas pessoas, pois apesar do Series 2 também ser à prova de água, este já não é comercializado pela Apple, apenas o Series 1, que por sua vez apenas é resistente à água. Esta resistência permite ao Series 3 rastrear atividades na água, fazendo com que seja muito útil para quem, por exemplo, pratique natação ou faça surf. O GPS será útil para quem faz exercício físico ao ar livre e queira monitorizar o trajeto percorrido sem o iPhone.

Eu já tomava banho com o Apple Watch original mas sempre com o cuidado para não direcionar o jato de água diretamente para o smarwatch. Agora esse cuidado já não se justifica, ainda mais com a funcionalidade de expelir água através do altifalante, introduzida no Series 2, como é exemplificado neste vídeo:

Ainda, o Apple Watch Series 3 tem um novo sensor, o altímetro que, como o nome indica, mede a altura. Para este caso, o sensor vai permitir o smartwatch perceber, com maior precisão, quando estamos a subir ou a descer escadas.


Performance


Para quem acompanha o Kioske há algum tempo, sabe que sempre critiquei a performance no Apple Watch, uma vez que dificultava significativamente a minha experiência de utilização por ser bastante lento, fazendo inclusivamente com que não recomendasse a sua compra. Pois bem, é com grande entusiasmo que vos digo que este problema encontra-se resolvido no Apple Watch Series 3! Para terem uma ideia, com o novo processador S3 dual-core do Series 3, demoro cerca de 3 segundos a abrir apps que não estão na memória RAM, o que é fantástico dado que no Watch original podia demorar mais de 10 segundos. Então se for uma app que está na Dock e, por conseguinte, na memória RAM, posso começar a interagir com ela em menos de 1 segundo. Obrigado Apple! Mas ainda pode ser melhor…

Mas não é só o processador que melhora a experiência. O Watch também vem equipado com o chip W2 que é dedicado a comunicação sem fios, dando mais estabilidade e alcance ao Wi-Fi e Bluetooth.


Bateria


Com efeito, nunca tive problemas com a autonomia da bateria do Apple Watch original. Para mim é natural chegar ao fim do dia e colocar o Watch a carregar antes de me deitar. Porém, nos últimos meses antes de trocar para o Series 3 e nos dias em que ia ao ginásio - o que implicava monitorizar a minha atividade física constantemente por mais de uma hora - tinha que o pôr a carregar assim que chegava a casa - bateria nos 10%. Ainda assim, com este tipo de uso, durava das 8 da manhã até às 20 horas.

Agora com o Apple Watch Series 3, meus amigos, a bateria é literalmente surreal! Se não for ao ginásio e, por isso, apenas usar o Watch para ler (muitas) notificações, mantendo o mesmo ritmo de tirá-lo do carregador pelas 8 horas da manhã, quando o vou a pôr a carregar perto da meia-noite, chega a ter mais de 70%!!! E mesmo com ginásio, é difícil descer do 60%. 

Isto é simplesmente fenomenal, o nível de otimização que a Apple fez no Apple Watch, entre hardware e software desde o seu lançamento, é de louvar. Como podem ver, se for esse o caso, a bateria pode durar à vontade dois dias sem carregar, o que me leva a crer que poderá estar para breve uma forma nativa do Apple Watch monitorizar o sono.


watchOS 4


É bom relembrar que o Apple Watch Series 3 vem com watchOS 4 que, apesar de também estar disponível para as outras gerações do smartwatch, foi certamente otimizado para o Series 3, pelo que é importante fazer algumas considerações ao sistema operativo.

Há muitas e boas novidades no watchOS 4, sendo que uma das mais relevantes é a nova opção de dispor os ícones do ecrã principal como lista, em vez da famosa grelha. Muito mais fácil para encontrar a app que pretendemos. A Dock também foi melhorada, nomeadamente na maneira em como interagimos com ela, na vertical e usando a coroa digital, em vez de ser na horizontal.

Uma ótima novidade desta “parceria” entre o Series 3 e o watchOS 4 é um atalho na Central de Controlo para a Lanterna. Para mim isto é extremamente útil para quando vou deitar a minha filha e, no escuro do quarto, preciso ver se ela já adormeceu sem ter que acender as luzes do quarto. Até parece que a Apple pensou nesta situação específica pois além de uma luz branca, temos também uma opção de luz vermelha, bastante menos agressiva aos olhos. Em qualquer uma das situações, o relógio ilumina de forma suficiente um quarto totalmente escuro.

Luz da lanterna do Apple Watch no tom branco (esquerda) e vermelho (direita)

A Siri também melhorou no Apple Watch Series 3. Agora ela é capaz de nos responder em alta voz, algo que apesar de não ser imprescindível, transmitia uma sensação da Siri estar incompleta. Outra novidade da Siri é ter um mostrador dedicado, mais conhecido como watch face. A ideia deste mostrador é dar informações úteis ao utilizador, em forma de “cartões”, consoante o local e a altura do dia. Por exemplo, se tiver a ouvir um Podcast do iPhone, aparece automaticamente o cartão de “reprodução” no mostrador da Siri, fazendo com que, em apenas um toque, possamos aceder ao menu de reprodução. Além disso, também mostra-nos o tempo e os “afazeres” que tenhamos agendados tanto no Calendário como nos Lembretes. Recomendo vivamente, pois é o meu mostrador pré-definido desde o dia 1 com o Series 3 e é realmente útil.

A app de Treino também foi melhorada e com duas novidades muito bem-vindas, pelo menos para mim. A primeira é o facto de agora haver uma nova opção para monitorizar um treino intervalado de alta intensidade, mais conhecido como HIIT. Para os mais curiosos, este treino, que faço sempre que vou ao ginásio, consiste em, por exemplo, fazer sprints durante alguns segundos, digamos 20, depois descansar 10 segundos e continuar a alternar entre o sprint e a pausa para recuperação, isto durante alguns minutos. A outra boa nova é que agora no ecrã de Treino, podemos aceder diretamente ao menu de reprodução e controlar o que estamos a ouvir, seja música ou podcast.

Por último, a app do Ritmo Cardíaco também foi alvo de melhorias, com a introdução de grafismos e tempos de recuperação, este último no caso exercícios físicos.


Conclusão


Agora sim, posso recomendar um Apple Watch. Um excelente dispositivo, apesar de não ser imprescindível, com bons acabamentos e, mais importante, uma ótima experiência de utilização. As apps continuam a ter uma utilidade muito limitada neste formato de gadget, pois além das apps nativas, as únicas que uso são o SmartGym (nome auto-explicativo), Metro LX (para ver perturbações no metro de lisboa), Bring! (lista de supermercado) e Cheatsheet (notas). Ou seja, o Apple Watch serve essencialmente para consultar notificações de forma fácil e monitorizar atividade física, com a vantagem de pontualmente podemos utilizar uma ou outra app. Por isso, dada a diminuição do seu âmbito de atuação perante aquele que inicialmente foi proposto pela Apple, considero que o preço pedido é elevado para o que oferece (a partir de 379€).

Por outro lado, quem comprar um Apple Watch para estar sempre a par das as novidades (do Kioske, claro!) e monitorizar atividade física, certamente que não se vai arrepender!

Para futuras iterações do smartwatch, não me admirava nada se a Apple lançasse um terceiro tamanho, maior que os 42mm. Ainda, gostava que no futuro a otimização do software permitisse o ecrã estar sempre ligado. Por último, também seria muito útil se, de forma nativa, pudéssemos consultar a percentagem de bateria do iPhone no Apple Watch.