Review AirPods: Feios por fora, bonitos por “dentro”

Foi com bastante entusiasmos que vi a apresentação dos AirPods aquando a keynote de setembro da Apple, onde foram apresentados os novos iPhones 7 e 7 Plus, pois já estava à procura há algum tempo de uns “fones” sem fios que pudesse usar no meu dia a dia, sobretudo para o ginásio.

Dito isto, o meu entusiasmo foi, no entanto, contido uma vez que o seu design não me chamou particularmente a atenção. A minha primeira reação foi de que a equipa de design da Apple teria tido preguiça em fazer algo diferente dos EarPods, e por isso, pegaram nesses “fones” e cortarem o fio para terem um novo produto, mas claro que os AirPods são algo muito mais complexo do que isso. Mesmo assim, não sou fã do seu design geral, ou seja, individualmente até que são bonitinhos mas quando os colocamos nas orelhas, a conversa é outra. Depende da fisionomia de cada pessoa mas há casos em que até faz impressão vê-los postos, como neste exemplo em baixo.

Felizmente que no meu caso não ficam tão mal como no pobre coitado em cima mas mesmo assim, há opiniões que não abonam muito a meu favor. No entanto, continuo a usá-los à vista de todos porque, como vão perceber, a comodidade e funcionalidades supera claramente o seu design.

A configuração inicial é algo mesmo à Apple, pois apenas temos que:

  1. Tirar os AirPods da caixa onde vieram
  2. Abrir o estojo junto do iPhone com que queremos sincronizar - aparece uma mensagem com a imagem dos AirPods e com uma opção para conectar 
  3. Escolhemos a opção para conectar
  4. Os AirPods estão agora configurados em todos os iDevices da conta iCloud configurada no iPhone

É ridiculamente simples fazer a configuração inicial e faço vénia a essa simplicidade, que é de resto apanágio da Apple.

Depois, assim que os colocamos nas orelhas, percebemos de imediato a semelhança com os EarPods, pois a sensação com eles colocados é muito parecida. Aliás, se estão na dúvida se compram ou não os AirPods porque têm uma má experiência com os EarPods por estes estarem sempre a cair das orelhas, então a probabilidade do mesmo acontecer com os AirPods é muito elevada.

A qualidade de som também é muito semelhante, ou seja boa (não excelente) mas nota-se uma melhoria nos graves e melhor desempenho no volume máximo. Não sei tecnicamente porquê mas notei isso no Metro, pois quem frequenta este meio de transporte sabe que por vezes, entre estações, o Metro “produz” um barulho horrível e muito alto que chega a impossibilitar que ouçamos o que quer que seja com os EarPods, sobretudo Podcasts. Com os AirPods notei melhorias significativas nestas circunstâncias, mas claro, não há milagres. O microfone que cada unidade tem incorporado é de qualidade média mas faz a sua função para chamadas.

Hands-On aos AirPods, literalmente

Juntamente com os AirPods, como já foi referido na configuração inicial, vêm um estojo para os guardarmos quando não precisamos deles, o que facilita o seu transporte. Este estojo tem uma bateria incorporada que carrega os AirPods assim que os pomos lá dentro. Cada AirPod tem autonomia de 4 a 5 horas de reprodução contínua mas com o estojo, esta autonomia é estendida para 24 horas, o que é fantástico. Além disso, basta 15 minutos de carga para termos 3 horas de autonomia. O estojo tem um LED que indica o nível de bateria do próprio estojo, assim como dos AirPods. Quando a bateria acabar, temos um cabo Lightning que vem incluido na caixa para ligar ao estojo e assim carregar tanto este como os próprios AirPods. 

LED indicador do nível de bateria. Luz laranja indica pouca carga e luz verde "Muita" carga

Ainda, existe um botão na parte de trás do estojo para que façamos a sincronização manual com outros dispositivos, como por exemplo Macs, Apple TV e até dispositivos Android, se bem que com nestes últimos as funcionalidades serão bastante mais limitadas.

Botão atrás para sincronização manual

Tanto os AirPods como o estojo têm ímans que facilitam o encaixe entre ambos e evitam que os AirPods saiam “disparados” do estojo por algum motivo.

De pernas para o ar...

De pernas para o ar...

Acredite-se ou não, os AirPods têm um processador incorporado, designado pela Apple de W1 e que é responsável pela gestão inteligente da bateria, facilidade da configuração inicial, eficiência da conectividade sem fios e a própria qualidade de som.

Os AirPods têm também sensores de proximidade que permitem, por exemplo, que quando tiramos um AirPod da orelha, a reprodução em curso seja automaticamente pausada, e que a mesma seja retomada quando voltamos a coloca-lo. Na minha utilização intensiva e diária dos AirPods, a pausa automática só não funcionou 1 vez quando tirei um dos AirPods, mas quando retirei o outro, já funcionou. O resumo da reprodução só funciona de fones forem retirados da orelha por um curto período de tempo, caso contrário teremos que fazer play manualmente.

Mas para mim, o grande ponto forte dos AirPods, a par da comodidade de serem uns fones totalmente sem fios, é a possibilidade de usar de modo muito fácil em qualquer dispositivo Apple que esteja configurado com o mesmo Apple ID do dispositivo onde foram inicialmente configurados. No meu caso, alterno bastante entre o meu iPhone e MacBook Pro. Para isso, basta colocar os AirPods e, no Mac, seleciona-los através do ícone de volume.

A partir daí, passamos a ter a indicação do nível de bateria dos AirPods no mesmo menu, ou em alternativa no ícone de Bluetooth. Para voltar a usar com o iPhone, apenas precisamos de seleciona-los na Central de Controlo.

 
 

O controlo da bateria dos AirPods no iPhone pode ser feita de duas maneiras. Uma delas consiste em, com o ecrã do iPhone ligado, abrir o estojo, que irá aparecer uma janela com o nível de bateria de cada componente dos AirPods mas infelizmente isto nem sempre funciona à primeira, pelo que ou temos que abrir e fechar o estojo até aparecer, ou então desbloquear o iPhone e fazer o mesmo procedimento. Por isso, o melhor método é o segundo, que consiste em ativar o widget de bateria para que possamos visualizar a bateria dos AirPods ao deslizarmos da esquerda para a direita no ecrã de bloqueio (ou na primeira página do ecrã principal do iPhone).

Porém, nem tudo são rosas com os AirPods e existe uma limitação muito grande num aspeto: a interação. Só temos duas hipóteses para interagir com AirPods: tocar duas vezes num deles para invocar a Siri ou, alterando as definições, pausar/retomar a reprodução de áudio. Nas chamadas, os dois toques também funcionam para desligar mas fora isso, não conseguem fazer mais nada. Por exemplo, não há um gesto para aumentar ou diminuir o volume (apesar de poder ser feito via Siri, mas é pouco prático) nem para passar para a próxima música. Para isso, teremos que utilizar o iPhone ou Mac.

No meu caso, tenho a felicidade de ter um Apple Watch, pelo que o transtorno não é tão grande mas é algo que a Apple tem que melhorar numa próxima geração. Além disso, uma versão em preto penso que também não ficaria mal, até porque em branco parece que atrai sujidade devido ao material usado, sobretudo no estojo.

Impossível manter o estojo limpo...

Concluindo, os 180€ que a Apple pede por estes dispositivos, na minha opinião MUITO PESSOAL, não são exagerados para aquilo que oferecem, relembrando, conexão totalmente sem fios, configuração automática em todos os dispositivos Apple com o mesmo Apple ID (excepto Apple TV), 24 horas de bateria, boa qualidade de som, funcionalidades práticas para pausa e reprodução automática, etc.

Claro que para quem quer apenas uns fones sem fios, existem opções bem mais em conta no mercado mas se tiverem mais do que um dispositivo Apple e usam frequentemente os mesmos fones com esses dispositivos, e não forem audiófilos, os AirPods são a escolha certa.