Apple reage oficialmente ao caso de redução de performance em iPhones mais antigos

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Tal como se previa, por ser um caso bastante polémico, a Apple reagiu oficialmente a este assunto de redução na performance em dispositivos com bateria desgastadas, através do site TechCrunch, traduzido pelo MacMagazine e adaptador por nós:

O nosso objetivo é entregar a melhor experiência para consumidores, o que inclui a performance geral e o prolongamento da vida dos seus dispositivos. As baterias de iões de lítio tornam-se menos capazes de fornecer picos de exigência de corrente em condições frias, com uma carga de bateria baixa ou à medida em que envelhecem com o tempo, o que pode resultar num dispositivo desligar-se inesperadamente para proteger os seus componentes eletrónicos.

No ano passado nós lançamos uma funcionalidade para o iPhone 6, o iPhone 6s e o iPhone SE para suavizar os picos instantâneos apenas quando necessário,  para prevenir que o dispositivo desligue inesperadamente durante essas condições. Nós agora estendemos essa funcionalidade para o iPhone 7, com o iOS 11.2, e planeamos adicionar suporte para outros produtos no futuro.
— Apple

Segundo o que a Apple diz, até à tal atualização que trouxe essa funcionalidade, o modo como os iPhones referidos tinham de proteger os seus componentes internos quando havia picos de exigência de performance era desligando-se, isto se a bateria já tivesse algo desgastada e, claro, quanto mais desgastada mais frequente seriam esses "desligamentos".

Então a Apple achou por bem alterar o modo como esses iPhones reagem aos picos de performance, suavizando-a. Por outras palavras, quando a tarefa que estamos a executar exige 100% do processador num iPhone com a bateria degradada, em vez deste desligar-se, apenas disponibiliza, por exemplo, 80% o que irá resultar numa baixa de performance na tarefa que estamos a realizar.

Com isto em mente, tenho quatro considerações a fazer:

  1. Mais uma vez, a Apple dá uma desculpa do tipo "it's not a bug, it's a feature" mas, para mim, o problema principal é a Apple ter deixado os utilizadores desses iPhones sentirem-me enganados pela grande falha de comunicação que houve por parte da Maçã, pois assim que a atualização do iOS saiu para corrigir o problema do encerramento inesperado, deveria ter sido dito de que forma isso foi resolvido;
  2. Com esta "falha", a primeira coisa que uma pessoa pensa nesta situação é claramente que a empresa está a tentar degradar o iPhone propositadamente para nos obrigado comprar um novo, o tal mito (ou não) da obsolescência programada;
  3. Depois de já ter deambulado a minha opinião sobre a obsolescência programada para os dois lados, neste momento considero que a Apple não o faz. Julgo que teria mais a perder do que a ganhar, pois seria um grande risco para a empresa tornar propositadamente os seus dispositivos mais lentos, uma vez que o consumidores poderiam virar-se para outras alternativas no mercado. Além disso, a nível de engenharia de software, John Gruber diz que várias fontes lhe têm dito ao longo dos anos que se algum executivo na Apple ordenasse aos engenheiros de software que tornassem o iOS mais lentos em dispositivos mais antigo, haveria uma "revolta", pois eles têm trabalhado arduamente em fazer precisamente o contrário, ou seja, para que os dispositivos durem os mais possível. Recomendo que leiam o artigo que John Gruber publicou no seu blogue sobre este assunto.

Todos este problema de dispositivos lentos pode ser resolvido, como dito no artigo inicial, substituindo simplesmente a bateria, algo que até nem é propriamente caro nos iPhones afetados e claro, muito mais em conta do que comprar um iPhone novo, o que contraria mais uma vez a questão da obsolescência programada.